10/11/2006

Crime e Castigo, Dostoievsky

Sem dúvida um dos romances mais interessantes e densos que já li. Como faz tempo que tive esse intento vou poupar meus esforços intelectuais para fazer análises, portanto, vou me limitar, mesmo sendo tosco e superficial, a reproduzir algumas passagens que me chamou a atenção e que anotei na época, caso alguém se interesse em sabe mais: leia o livro!
“Sim, é isso, está tudo ao alcance do homem, mas o medo... É curioso: de que será que as pessoas têm mais medo? O que mais temem é o primeiro caso, a primeira palavra... Mas parece que já estou falando demais. Afinal, não faço outra coisa a não ser falar. Embora também se pudesse dizer que, se falo, é porque não faço nada. A verdade é que, de um mês pra cá, peguei a mania de falar, enquanto me deixo ficar estendido no meu canto, ruminando... sobre ninharias. Bem, afinal aonde vou? Serei capaz? Será uma coisa séria? Não, de maneira alguma. Divirto-me à custa da minha imaginação. É uma brincadeira! É isso mesmo, uma brincadeira!” (p. 10). “Nesse tempo, não dava grande importância aos delírios de sua imaginação, apenas se excitava com eles. Passado um mês, começava a olhá-los de outra maneira, e, apesar de tudo, dos silenciosos monólogos a respeito de sua inércia e indecisão, ia se acostumando, quase sem querer, a considerar aquele sonho audacioso como um empreendimento, embora ele próprio não acreditasse nele. Agora, ia ali justamente ensaiar aquele plano, e o seu nervosismo aumentava à medida que ia caminhando” (p. 11).
“Na pobreza ainda se conserva a nobreza dos sentimentos. Na miséria não há nem nunca houve nada que os conserve. Um homem na miséria é expulso a pauladas, afugentam-no a vassouradas da companhia dos seus semelhantes, para que a ofensa seja ainda maior, e é justo, porque na miséria eu sou o primeiro que estou disposto a ofender-me a mim próprio...” (p. 19) “... não há muito tempo, que a compaixão, nos nossos tempos, é proibida pela ciência, e que é assim que se procede na Inglaterra, onde existe a economia política” (p. 20). “Incentivava-o a ter fé na bondade do Criador e nosso Protetor, porque no íntimo tenho medo de que tenhas contagiado dessa incredulidade que está agora em moda” (p. 36).
As reflexões sobre as novas teorias que surgiam, sobretudo a respeito da economia política liberal, são momentos ricos que o autor presenteia ao leitor e que de certa forma até hoje nos ensina e nos orienta a viver: “Por exemplo, ensinaram-nos até aqui: ‘Ama o teu próximo.’ Se eu sigo tal preceito, que é que acontece? Rasgo o meu capote em dois, dou a metade ao próximo e ficamos, os dois, nem vestidos nem nus. Mas a ciência me ensina a amar antes de tudo a mim mesmo, porque tudo neste mundo se baseia no interesse pessoal. A economia política diz que quanto mais negócios particulares existirem na sociedade, ou, em outras palavras, quanto mais capotes inteiros foram fabricados, mais forte e organizada ela será. Portanto, trabalhando exclusivamente para mim, estou também trabalhando para todos, contribuindo para que o próximo receba mais do que a metade de um capote, em conseqüência do progresso geral. Idéia simples, mas que infelizmente, até hoje esteve abafada pelo espírito sonhador” (p. 116).

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